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O que acontece quando ignoramos a causa do comportamento?


Muitas vezes, quando uma criança apresenta um comportamento difícil, o adulto reage tentando interromper aquilo rapidamente: grita, ameaça, castiga, coloca de castigo, tira algo importante ou simplesmente afasta a criança da situação.

Na prática, isso até pode interromper o comportamento naquele momento.

Mas existe uma pergunta que quase ninguém faz:

“Por que esse comportamento aconteceu?”


E é exatamente aí que mora um dos maiores erros na educação infantil.

Quando ignoramos a causa do comportamento, deixamos de ensinar. Passamos apenas a controlar momentaneamente aquilo que está aparecendo.

O problema é que comportamento não surge do nada.

Todo comportamento tem uma função. Todo comportamento comunica alguma coisa.

E quando a gente reage sem compreender isso… o ciclo de conflitos tende a aumentar.

Este artigo foi inspirado no conteúdo do Módulo 3 do curso “Por que meu filho age assim?”, desenvolvido por Luiza Chiovato.


Reagir sem entender pode gerar medo — não aprendizagem

Muitos adultos acreditam que punição ensina.

Mas, na maioria das vezes, ela apenas produz interrupção temporária.

A criança para por medo.Não porque aprendeu.

Quando o ambiente se torna baseado em punições constantes, algumas consequências começam a aparecer:

  • medo;

  • insegurança;

  • quebra de vínculo;

  • resistência ao adulto;

  • aumento das crises;

  • desgaste emocional da família.

Como apresentado nos slides da aula, punições frequentes podem criar um clima autoritário onde prevalece o medo, e não o respeito mútuo.

E isso muda completamente a forma como a criança se relaciona com os pais, professores e cuidadores.


O comportamento continua porque a causa continua existindo

Imagine uma criança que grita toda vez que precisa esperar.

Se o adulto apenas castiga o grito, mas nunca ensina a lidar com a frustração… a dificuldade continua ali.

A criança ainda:

  • não sabe esperar;

  • não consegue regular emoções;

  • não aprendeu outra forma de pedir ajuda.

O comportamento pode até diminuir na frente daquele adulto.

Mas provavelmente aparecerá:

  • em casa;

  • na escola;

  • com irmãos;

  • em locais públicos;

  • em outros momentos de estresse.

Porque interromper não é ensinar.

Essa é uma das mensagens centrais da aula: a punição não ensina o que fazer no lugar.


A criança aprende a evitar… não a desenvolver autocontrole

Um ponto muito importante na Análise do Comportamento é entender que medo não desenvolve autorregulação.

Ele desenvolve esquiva.

A criança aprende:

  • a esconder;

  • a mentir;

  • a evitar o adulto;

  • a não ser pega.

Mas não necessariamente aprende habilidades emocionais.

Os slides mostram que crianças punidas frequentemente desenvolvem mecanismos de fuga e esquiva, criando resistência à figura do educador.

Isso explica porque muitas famílias entram naquele ciclo de:

“Preciso gritar cada vez mais.”“Parece que nada funciona.”“Meu filho só obedece no medo.”

Na verdade, o comportamento não foi compreendido nem ensinado adequadamente.


O ciclo da frustração

Quando ignoramos a causa do comportamento, um ciclo muito comum começa a acontecer:

  1. A criança apresenta um comportamento inadequado;

  2. O adulto reage com punição;

  3. O comportamento volta;

  4. O adulto aumenta a intensidade da reação;

  5. Todos ficam mais frustrados.

Esse ciclo aparece claramente no conteúdo da aula.

E isso é extremamente comum na vida real.

Pais cansados.Professores sobrecarregados.Crianças emocionalmente desorganizadas.Adultos tentando controlar o comportamento sem entender sua função.

O resultado?Mais conflitos.Mais desgaste.Menos conexão.


Ignorar a causa pode piorar o comportamento

Às vezes, o comportamento difícil é consequência de:

  • dificuldade de comunicação;

  • excesso de estímulos;

  • sono ruim;

  • dificuldade emocional;

  • rigidez;

  • ansiedade;

  • busca por atenção;

  • dificuldade em lidar com “não”;

  • falta de previsibilidade;

  • dificuldades sensoriais;

  • ausência de habilidades sociais.


Quando nada disso é observado, o adulto reage apenas ao que vê.

Mas o comportamento continua “gritando” aquilo que não foi compreendido.

E muitas vezes a criança passa a ser vista como:

  • manipuladora;

  • malcriada;

  • desobediente;

  • preguiçosa;

  • agressiva.

Quando, na verdade, existe uma necessidade não ensinada por trás daquele comportamento.


Então o que funciona de verdade?

A solução não é permissividade.

Também não é deixar a criança “fazer tudo”.

O caminho está em:

  • entender a causa;

  • ensinar habilidades;

  • criar previsibilidade;

  • desenvolver repertório emocional;

  • reforçar comportamentos adequados;

  • construir vínculo e segurança.

Como destacado na aula, o foco precisa estar:

  • na observação das causas;

  • no ensino de alternativas;

  • no reforço positivo;

  • na construção de habilidades socioemocionais.

Porque comportamento adequado também precisa ser ensinado.


Educar é muito mais do que controlar comportamento

A verdadeira educação não acontece quando a criança apenas “fica quieta”.

Ela acontece quando a criança:

  • aprende;

  • compreende;

  • desenvolve autonomia;

  • regula emoções;

  • constrói habilidades sociais;

  • sente segurança para crescer.

Como apresentado na conclusão do módulo, educar de forma transformadora envolve:

  1. vínculo;

  2. compreensão;

  3. ensino;

  4. desenvolvimento integral.

Punir pode até interromper.Mas ensinar constrói mudanças duradouras.


Referências

  • Skinner, B. F. (2003). Ciência e Comportamento Humano. Martins Fontes.

  • Sidman, M. (2009). Coerção e suas implicações. Livro Pleno.

  • Patterson, G. R. (1982). Coercive Family Process. Castalia Publishing Company.

  • Del Prette, Z. A. P., & Del Prette, A. (2017). Habilidades Sociais e Educação. Vozes.

  • Baer, D. M., Wolf, M. M., & Risley, T. R. (1968). Some current dimensions of applied behavior analysis. Journal of Applied Behavior Analysis, 1(1), 91–97.


Este artigo foi desenvolvido com base em conteúdos autorais de Luiza Chiovato. Recursos de Inteligência Artificial foram utilizados para apoio na edição, organização textual e estruturação das ideias.

 
 
 

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