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O que é a função do comportamento na Terapia ABA?


Entender o “porquê” muda completamente a forma de educar e intervir


“Meu filho faz isso só para chamar atenção.”“Ele sabe exatamente o que está fazendo.”“Parece que faz de propósito.”

Essas frases aparecem diariamente na clínica, na escola e dentro das casas.Mas existe algo muito importante que muitas famílias ainda não sabem:


👉 Todo comportamento tem uma função.


Na Terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada), nós não olhamos apenas para o comportamento em si. Nós buscamos entender:


“O que essa criança ganha ou evita quando se comporta dessa forma?”

E quando entendemos isso… o manejo muda completamente.


O comportamento não acontece “do nada”

Nenhuma criança acorda pensando:

“Hoje vou dificultar a vida dos meus pais.”

O comportamento é aprendido e mantido pelas consequências que acontecem depois dele.

Isso significa que, muitas vezes, sem perceber, o ambiente reforça determinados comportamentos.

Por exemplo:

  • a criança chora → ganha o celular;

  • grita → consegue atenção;

  • bate → escapa da atividade;

  • faz birra → consegue o que queria.

E o cérebro aprende rapidamente:

💡 “Isso funciona.”

E tudo aquilo que funciona… tende a se repetir.


Na ABA, usamos a sigla SETA para entender a função do comportamento

A sigla SETA ajuda pais, professores e profissionais a lembrarem das quatro funções principais do comportamento.


S — Sensorial

O comportamento acontece porque a sensação em si é prazerosa, reguladora ou estimulante.

A criança pode:

  • balançar o corpo;

  • girar objetos;

  • pular;

  • fazer sons repetitivos;

  • morder;

  • mexer as mãos;

  • procurar pressão ou movimento.

Nesses casos, o comportamento não depende necessariamente das pessoas ao redor.

A própria sensação funciona como reforço.

💡 O comportamento “se mantém sozinho” porque gera estímulo sensorial.


E — Escape

Aqui, a criança quer fugir, evitar ou interromper algo.

Pode acontecer quando:

  • a tarefa está difícil;

  • existe excesso de estímulos;

  • há cobrança demais;

  • a atividade é cansativa;

  • ela não sabe como fazer;

  • está emocionalmente sobrecarregada.

Exemplo clássico:

👉 a criança começa a chorar na hora da lição👉 o adulto desiste da atividade👉 o cérebro aprende:

“Quando faço isso… eu escapo.”

E isso aumenta a chance do comportamento voltar a acontecer futuramente.


T — Tangível

A função aqui é conseguir algo concreto.

Pode ser:

  • brinquedo;

  • doce;

  • celular;

  • videogame;

  • objeto específico;

  • atividade desejada.

Exemplo:

👉 a criança faz birra no mercado👉 ganha o chocolate👉 o comportamento foi reforçado.

Isso não significa que os pais “erraram” por maldade.Na maioria das vezes, eles estavam cansados, sobrecarregados ou tentando sobreviver ao momento.

E é justamente por isso que acolhimento e orientação são tão importantes.


A — Atenção

Muitas crianças aprendem que determinados comportamentos geram atenção rápida dos adultos.

E atenção não é só carinho.

⚠️ Bronca também é atenção.⚠️ Gritar também é atenção.⚠️ Discussão também pode reforçar comportamento.

Exemplo:

👉 a criança interrompe constantemente👉 o adulto reage imediatamente👉 o cérebro aprende:

“Quando faço isso… as pessoas olham para mim.”

E o comportamento aumenta.

O maior erro é olhar apenas para o comportamento

Quando focamos só no comportamento, geralmente pensamos:

  • “precisa parar”;

  • “está manipulando”;

  • “é malcriado”;

  • “faz porque quer”.

Mas quando entendemos a função…

✔️ paramos de agir só na consequência

✔️ começamos a ensinar habilidades

✔️ organizamos melhor o ambiente

✔️ diminuímos crises

✔️ aumentamos previsibilidade e comunicação

Porque comportamento é comunicação.

Mesmo quando a criança ainda não consegue explicar em palavras.


Então o que fazer na prática?

Antes de reagir automaticamente, tente observar:

1. O que aconteceu antes?

(Antes do comportamento)

2. O que a criança fez?

(O comportamento em si)

3. O que aconteceu depois?

(A consequência)

Muitas vezes, a resposta está exatamente aí.


Entender a função muda tudo

Na ABA, nós não buscamos apenas “eliminar comportamentos”.

Nós buscamos entender:

  • o que mantém esse comportamento;

  • o que a criança está tentando comunicar;

  • quais habilidades precisam ser ensinadas;

  • como adaptar o ambiente de forma mais eficiente e saudável.

E isso vale para crianças típicas e atípicas.

Porque toda criança aprende pelas consequências do ambiente.


Conclusão

A sigla SETA ajuda a lembrar que os comportamentos geralmente acontecem para:

  • S → Sensorial

  • E → Escape

  • T → Tangível

  • A → Atenção


E quando entendemos a função… deixamos de enxergar apenas “birras”, “desobediência” ou “manipulação”.

Passamos a enxergar necessidades, aprendizado e possibilidades de intervenção mais eficazes.


Referências

  • Skinner, B. F. (1953). Science and Human Behavior.

  • Cooper, J. O., Heron, T. E., & Heward, W. L. (2020). Applied Behavior Analysis.

  • Alberto, P. A., & Troutman, A. C. (2013). Applied Behavior Analysis for Teachers.

  • Hanley, G. P. (2012). Functional Assessment of Problem Behavior.

  • Baer, D. M., Wolf, M. M., & Risley, T. R. (1968). Some Current Dimensions of Applied Behavior Analysis.


Este artigo contou com apoio de Inteligência Artificial para edição, organização das ideias e revisão textual.


 
 
 

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