O que é a função do comportamento na Terapia ABA?
- Luiza Helena Chiovato
- 19 de mai.
- 3 min de leitura

Entender o “porquê” muda completamente a forma de educar e intervir
“Meu filho faz isso só para chamar atenção.”“Ele sabe exatamente o que está fazendo.”“Parece que faz de propósito.”
Essas frases aparecem diariamente na clínica, na escola e dentro das casas.Mas existe algo muito importante que muitas famílias ainda não sabem:
👉 Todo comportamento tem uma função.
Na Terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada), nós não olhamos apenas para o comportamento em si. Nós buscamos entender:
“O que essa criança ganha ou evita quando se comporta dessa forma?”
E quando entendemos isso… o manejo muda completamente.
O comportamento não acontece “do nada”
Nenhuma criança acorda pensando:
“Hoje vou dificultar a vida dos meus pais.”
O comportamento é aprendido e mantido pelas consequências que acontecem depois dele.
Isso significa que, muitas vezes, sem perceber, o ambiente reforça determinados comportamentos.
Por exemplo:
a criança chora → ganha o celular;
grita → consegue atenção;
bate → escapa da atividade;
faz birra → consegue o que queria.
E o cérebro aprende rapidamente:
💡 “Isso funciona.”
E tudo aquilo que funciona… tende a se repetir.
Na ABA, usamos a sigla SETA para entender a função do comportamento
A sigla SETA ajuda pais, professores e profissionais a lembrarem das quatro funções principais do comportamento.
S — Sensorial
O comportamento acontece porque a sensação em si é prazerosa, reguladora ou estimulante.
A criança pode:
balançar o corpo;
girar objetos;
pular;
fazer sons repetitivos;
morder;
mexer as mãos;
procurar pressão ou movimento.
Nesses casos, o comportamento não depende necessariamente das pessoas ao redor.
A própria sensação funciona como reforço.
💡 O comportamento “se mantém sozinho” porque gera estímulo sensorial.
E — Escape
Aqui, a criança quer fugir, evitar ou interromper algo.
Pode acontecer quando:
a tarefa está difícil;
existe excesso de estímulos;
há cobrança demais;
a atividade é cansativa;
ela não sabe como fazer;
está emocionalmente sobrecarregada.
Exemplo clássico:
👉 a criança começa a chorar na hora da lição👉 o adulto desiste da atividade👉 o cérebro aprende:
“Quando faço isso… eu escapo.”
E isso aumenta a chance do comportamento voltar a acontecer futuramente.
T — Tangível
A função aqui é conseguir algo concreto.
Pode ser:
brinquedo;
doce;
celular;
videogame;
objeto específico;
atividade desejada.
Exemplo:
👉 a criança faz birra no mercado👉 ganha o chocolate👉 o comportamento foi reforçado.
Isso não significa que os pais “erraram” por maldade.Na maioria das vezes, eles estavam cansados, sobrecarregados ou tentando sobreviver ao momento.
E é justamente por isso que acolhimento e orientação são tão importantes.
A — Atenção
Muitas crianças aprendem que determinados comportamentos geram atenção rápida dos adultos.
E atenção não é só carinho.
⚠️ Bronca também é atenção.⚠️ Gritar também é atenção.⚠️ Discussão também pode reforçar comportamento.
Exemplo:
👉 a criança interrompe constantemente👉 o adulto reage imediatamente👉 o cérebro aprende:
“Quando faço isso… as pessoas olham para mim.”
E o comportamento aumenta.
O maior erro é olhar apenas para o comportamento
Quando focamos só no comportamento, geralmente pensamos:
“precisa parar”;
“está manipulando”;
“é malcriado”;
“faz porque quer”.
Mas quando entendemos a função…
✔️ paramos de agir só na consequência
✔️ começamos a ensinar habilidades
✔️ organizamos melhor o ambiente
✔️ diminuímos crises
✔️ aumentamos previsibilidade e comunicação
Porque comportamento é comunicação.
Mesmo quando a criança ainda não consegue explicar em palavras.
Então o que fazer na prática?
Antes de reagir automaticamente, tente observar:
1. O que aconteceu antes?
(Antes do comportamento)
2. O que a criança fez?
(O comportamento em si)
3. O que aconteceu depois?
(A consequência)
Muitas vezes, a resposta está exatamente aí.
Entender a função muda tudo
Na ABA, nós não buscamos apenas “eliminar comportamentos”.
Nós buscamos entender:
o que mantém esse comportamento;
o que a criança está tentando comunicar;
quais habilidades precisam ser ensinadas;
como adaptar o ambiente de forma mais eficiente e saudável.
E isso vale para crianças típicas e atípicas.
Porque toda criança aprende pelas consequências do ambiente.
Conclusão
A sigla SETA ajuda a lembrar que os comportamentos geralmente acontecem para:
S → Sensorial
E → Escape
T → Tangível
A → Atenção
E quando entendemos a função… deixamos de enxergar apenas “birras”, “desobediência” ou “manipulação”.
Passamos a enxergar necessidades, aprendizado e possibilidades de intervenção mais eficazes.
Referências
Skinner, B. F. (1953). Science and Human Behavior.
Cooper, J. O., Heron, T. E., & Heward, W. L. (2020). Applied Behavior Analysis.
Alberto, P. A., & Troutman, A. C. (2013). Applied Behavior Analysis for Teachers.
Hanley, G. P. (2012). Functional Assessment of Problem Behavior.
Baer, D. M., Wolf, M. M., & Risley, T. R. (1968). Some Current Dimensions of Applied Behavior Analysis.
Este artigo contou com apoio de Inteligência Artificial para edição, organização das ideias e revisão textual.




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