10 dicas para lidar com comportamentos difíceis das crianças
- Luiza Helena Chiovato
- 19 de ago.
- 4 min de leitura

Birras, resistência para tomar banho, dificuldade para desligar a tela, choro na hora de sair, recusa para dormir, gritos, teimosia...
Quando esses comportamentos começam a se repetir, é muito fácil chegar ao final do dia pensando:
“Eu não sei mais o que fazer.”
Mas antes de pensar apenas em como fazer uma criança “obedecer”, existe uma pergunta muito mais importante:
O que esse comportamento está tentando comunicar?
Crianças, principalmente as menores, ainda estão desenvolvendo habilidades para reconhecer emoções, lidar com frustrações, esperar, interromper algo prazeroso e explicar em palavras aquilo que estão sentindo.
Por isso, muitas vezes, o comportamento aparece antes da capacidade de dizer:
“Estou cansado.”
“Não queria parar de brincar.”
“Isso está difícil para mim.”
“Eu não sei lidar com essa frustração.”
“Preciso de ajuda.”
E quando começamos a olhar para o que existe por trás do comportamento, nossa forma de responder também pode mudar.
Um resumão: o que você pode começar a fazer em casa?
1. Antes de chamar de birra, observe as necessidades básicas
Sono, fome, cansaço e sobrecarga podem mudar completamente o comportamento de uma criança.
Antes de corrigir, observe: essa criança está regulada o suficiente para conseguir responder ao que estou pedindo?
2. Nomeie o sentimento antes de corrigir
Validar uma emoção não significa permitir qualquer comportamento.
Você pode dizer:
“Eu sei que você ficou bravo porque queria continuar brincando. Mas agora precisamos guardar os brinquedos.”
A criança continua tendo um limite, mas também começa a aprender a reconhecer aquilo que sente.
3. Antecipe as mudanças
Para nós, adultos, “vamos embora” pode parecer uma informação simples.
Para uma criança que está brincando e envolvida em algo prazeroso, pode significar uma interrupção repentina.
Experimente avisar:
“Daqui a 5 minutos vamos guardar os brinquedos.”
Depois:
“Faltam 2 minutos.”
Previsibilidade ajuda a criança a se preparar para aquilo que vai acontecer.
4. Ofereça escolhas — mas escolhas possíveis
Em vez de transformar tudo em uma disputa:
“Vai colocar o pijama agora!”
Experimente:
“Você quer colocar primeiro o pijama ou escovar os dentes?”
O limite continua existindo, mas a criança participa da decisão.
5. Reforce aquilo que você quer ver novamente
Muitas vezes damos enorme atenção ao comportamento inadequado e quase nenhuma atenção quando a criança consegue fazer diferente.
Em vez de apenas “parabéns”, seja específica:
“Eu vi que você guardou os brinquedos quando pedi. Isso ajudou muito.”
A criança começa a compreender exatamente qual comportamento está sendo valorizado.
6. Regule seu tom antes de tentar regular a criança
Esse talvez seja um dos pontos mais difíceis.
Quando estamos cansados, atrasados ou sobrecarregados, queremos que a criança pare imediatamente.
Mas gritar para ensinar alguém a se acalmar dificilmente ensina autorregulação.
Às vezes, alguns segundos para respirar antes de responder mudam completamente a condução daquela situação.
7. Torne a rotina mais visível
Crianças pequenas ainda não compreendem o tempo como nós.
Uma rotina com imagens, desenhos ou fotografias pode ajudá-las a entender:
“O que acontece agora?”
“E depois?”
“Quando vou brincar?”
“Quando é hora de dormir?”
Quanto mais previsível o ambiente, menor a necessidade de descobrir tudo no meio do caminho.
8. Cuidado com os rótulos
“Ele é teimoso.”
“Ela é impossível.”
“Ele é preguiçoso.”
Quando repetimos rótulos, corremos o risco de transformar um comportamento momentâneo em uma característica da própria criança.
Prefira falar sobre o que aconteceu, e não sobre quem ela é.
9. Lembre-se: comportamento também é comunicação
Uma criança que joga uma atividade no chão pode não estar simplesmente “fazendo pirraça”.
Talvez aquela seja a maneira que encontrou para comunicar:
“Está difícil.”
“Estou frustrado.”
“Não consigo.”
Isso não significa ignorar o comportamento inadequado. Significa compreender sua função para conseguir ensinar uma resposta melhor.
10. Permita que seu filho erre
Educar não é impedir todos os erros.
É ajudar a criança a perceber o que aconteceu, reparar quando necessário e pensar:
“O que eu posso fazer diferente da próxima vez?”
Responsabilidade também é aprendida.
E por onde começar?
Você não precisa aplicar dez estratégias amanhã.
Escolha uma.
Observe seu filho durante alguns dias.
Perceba em quais horários os conflitos acontecem, o que costuma acontecer antes deles e como vocês normalmente respondem.
A mudança começa muito mais pela observação e compreensão do que pela tentativa de controlar cada comportamento.
Foi justamente pensando nisso que preparei o e-book gratuito:
É um guia prático para pais e cuidadores, com estratégias que podem ser aplicadas na rotina para ajudar você a olhar além da birra, da resistência e da chamada “desobediência”.
Além das 10 estratégias, preparei também um check-list diário para ajudar a transformar as orientações em pequenas ações na rotina da família.
🎁 O material é gratuito.
Você não precisa de uma casa perfeita e nem de uma criança que nunca faça birra.
Precisa aprender a observar melhor o que acontece antes, durante e depois do comportamento — e, aos poucos, construir novas formas de responder.
Menos culpa. Mais conexão.
Luiza Chiovato
Neurodesenvolvimento & Comportamento




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