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10 dicas para lidar com comportamentos difíceis das crianças

Birras, resistência para tomar banho, dificuldade para desligar a tela, choro na hora de sair, recusa para dormir, gritos, teimosia...

Quando esses comportamentos começam a se repetir, é muito fácil chegar ao final do dia pensando:

“Eu não sei mais o que fazer.”


Mas antes de pensar apenas em como fazer uma criança “obedecer”, existe uma pergunta muito mais importante:

O que esse comportamento está tentando comunicar?


Crianças, principalmente as menores, ainda estão desenvolvendo habilidades para reconhecer emoções, lidar com frustrações, esperar, interromper algo prazeroso e explicar em palavras aquilo que estão sentindo.


Por isso, muitas vezes, o comportamento aparece antes da capacidade de dizer:

“Estou cansado.”

“Não queria parar de brincar.”

“Isso está difícil para mim.”

“Eu não sei lidar com essa frustração.”

“Preciso de ajuda.”


E quando começamos a olhar para o que existe por trás do comportamento, nossa forma de responder também pode mudar.


Um resumão: o que você pode começar a fazer em casa?


1. Antes de chamar de birra, observe as necessidades básicas

Sono, fome, cansaço e sobrecarga podem mudar completamente o comportamento de uma criança.

Antes de corrigir, observe: essa criança está regulada o suficiente para conseguir responder ao que estou pedindo?


2. Nomeie o sentimento antes de corrigir

Validar uma emoção não significa permitir qualquer comportamento.

Você pode dizer:

“Eu sei que você ficou bravo porque queria continuar brincando. Mas agora precisamos guardar os brinquedos.”

A criança continua tendo um limite, mas também começa a aprender a reconhecer aquilo que sente.


3. Antecipe as mudanças

Para nós, adultos, “vamos embora” pode parecer uma informação simples.

Para uma criança que está brincando e envolvida em algo prazeroso, pode significar uma interrupção repentina.

Experimente avisar:

“Daqui a 5 minutos vamos guardar os brinquedos.”

Depois:

“Faltam 2 minutos.”

Previsibilidade ajuda a criança a se preparar para aquilo que vai acontecer.


4. Ofereça escolhas — mas escolhas possíveis

Em vez de transformar tudo em uma disputa:

“Vai colocar o pijama agora!”

Experimente:

“Você quer colocar primeiro o pijama ou escovar os dentes?”

O limite continua existindo, mas a criança participa da decisão.


5. Reforce aquilo que você quer ver novamente

Muitas vezes damos enorme atenção ao comportamento inadequado e quase nenhuma atenção quando a criança consegue fazer diferente.

Em vez de apenas “parabéns”, seja específica:

“Eu vi que você guardou os brinquedos quando pedi. Isso ajudou muito.”

A criança começa a compreender exatamente qual comportamento está sendo valorizado.


6. Regule seu tom antes de tentar regular a criança

Esse talvez seja um dos pontos mais difíceis.

Quando estamos cansados, atrasados ou sobrecarregados, queremos que a criança pare imediatamente.

Mas gritar para ensinar alguém a se acalmar dificilmente ensina autorregulação.

Às vezes, alguns segundos para respirar antes de responder mudam completamente a condução daquela situação.


7. Torne a rotina mais visível

Crianças pequenas ainda não compreendem o tempo como nós.

Uma rotina com imagens, desenhos ou fotografias pode ajudá-las a entender:

“O que acontece agora?”

“E depois?”

“Quando vou brincar?”

“Quando é hora de dormir?”

Quanto mais previsível o ambiente, menor a necessidade de descobrir tudo no meio do caminho.


8. Cuidado com os rótulos

“Ele é teimoso.”

“Ela é impossível.”

“Ele é preguiçoso.”

Quando repetimos rótulos, corremos o risco de transformar um comportamento momentâneo em uma característica da própria criança.

Prefira falar sobre o que aconteceu, e não sobre quem ela é.


9. Lembre-se: comportamento também é comunicação

Uma criança que joga uma atividade no chão pode não estar simplesmente “fazendo pirraça”.

Talvez aquela seja a maneira que encontrou para comunicar:

“Está difícil.”

“Estou frustrado.”

“Não consigo.”

Isso não significa ignorar o comportamento inadequado. Significa compreender sua função para conseguir ensinar uma resposta melhor.


10. Permita que seu filho erre

Educar não é impedir todos os erros.

É ajudar a criança a perceber o que aconteceu, reparar quando necessário e pensar:

“O que eu posso fazer diferente da próxima vez?”

Responsabilidade também é aprendida.


E por onde começar?

Você não precisa aplicar dez estratégias amanhã.

Escolha uma.

Observe seu filho durante alguns dias.

Perceba em quais horários os conflitos acontecem, o que costuma acontecer antes deles e como vocês normalmente respondem.

A mudança começa muito mais pela observação e compreensão do que pela tentativa de controlar cada comportamento.


Foi justamente pensando nisso que preparei o e-book gratuito:


É um guia prático para pais e cuidadores, com estratégias que podem ser aplicadas na rotina para ajudar você a olhar além da birra, da resistência e da chamada “desobediência”.

Além das 10 estratégias, preparei também um check-list diário para ajudar a transformar as orientações em pequenas ações na rotina da família.


🎁 O material é gratuito.




Você não precisa de uma casa perfeita e nem de uma criança que nunca faça birra.

Precisa aprender a observar melhor o que acontece antes, durante e depois do comportamento — e, aos poucos, construir novas formas de responder.


Menos culpa. Mais conexão.


Luiza Chiovato

Neurodesenvolvimento & Comportamento

 
 
 

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